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Condições traumáticas

Fraturas e pseudoartroses do escafóide

Fraturas e pseudoartroses do escafóide

O osso escafóide é um dos oito pequenos ossos que formam a região chamada “carpo”, no nosso punho. Dentre os ossos do carpo, é o mais frequentemente fraturado, e suas fraturas possuem várias especificidades em termos de diagnóstico, evolução e conduta.

Mecanismo de fratura

As fraturas do escafóide ocorrem mais frequentemente após um trauma com extensão do punho (ou seja, o punho é forçado para trás). Os acidentes que apresentam esse tipo de mecanismo são as quedas, seja da própria altura, de alguma elevação, de moto ou bicicleta; os traumatismos desportivos (por exemplo: o movimento da defesa de uma bolada no futebol); e outros.

Diagnóstico

            As fraturas do escafóide geralmente são diagnosticadas através das radiografias do punho. No entanto, é frequente , em se tratando do escafóide, que as fraturas sem desvio não sejam visíveis nas radiografias realizadas na primeira avaliação. Nesse caso, se existe suspeita ao exame inicial de que haja uma fratura oculta, pode-se repetir a radiografia após um período de duas semanas, ou idealmente se lançar mão de um exame que apontará mais precocemente a fratura, que é a ressonância magnética.

Tratamento

            Se a fratura não tem desvio, ela pode ser tratada com imobilização. No entanto, em virtude do longo período que é necessário para a consolidação (até 12 semanas), pode se optar pelo tratamento cirúrgico mesmo nas fraturas sem desvio , a fim de se evitar os inconvenientes da imobilização prolongada. Nos casos em que há desvio e nas fraturas do polo proximal (isto é, na parte do osso mais próxima ao antebraço), geralmente a cirurgia já é a opção recomendada de início. A cirurgia consiste na fixação do osso com um parafuso, como na sequência abaixo.

Radiografia: fratura do terço médio do escafóide

 

Imagem do procedimento cirúrgico de fixação

 

Radiografia pós-fixação da fratura

 

Complicações

            Infelizmente, é frequente que algumas fraturas não consolidem. Isso pode ocorrer nas fraturas que não são identificadas precocemente, nas fraturas do polo proximal, ou mesmo em outras fraturas adequadamente imobilizadas. A razão desta evolução desfavorável, dentre outros fatores,  é o suprimento sanguíneo característicamente mais pobre neste osso. A esse quadro de não-consolidação dá-se o nome de “pseudoartrose”. O problema da pseudoartrose do escafóide é que vai ocorrer uma transmissão inadequada de carga através do punho, e isso acarreta um desgaste precoce da articulação, com dor, inchaço, limitação de movimento e déficit de função. Por isso, as pseudoartroses do escafóide geralmente tem indicação de cirurgia, num procedimento muito complexo em que um enxerto de osso saudável , retirado da bacia ou do próprio punho , é colocado no local da lesão, de modo a se obter a consolidação do osso.

Nas fases tardias, em que já há sequelas, estão indicados procedimentos que objetivam somente aliviar a dor e preservar a função – são os chamados “procedimentos de salvamento”.

 

Imagem: pseudoartrose

 

Imagem: pseudoartrose já com degeneração secundária da articulação.

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